Nota da Rede sobre o novo Inclusp – “USP na contramão da democracia: qual é a novidade no EXCLUSP?”

A nova proposta dos dirigentes da USP para o vestibular da FUVEST mostra uma universidade caminhando na contramão da democracia. No dia 31 de março de 2011 o Conselho de Graduação da USP (CoG) aprovou parte desta proposta alterando o INCLUSP, pretenso Programa de Inclusão Social da USP para alunos oriundos da escola pública.

Criado em 2006, o INCLUSP garantia a esses estudantes um ínfimo bônus de 3%, podendo ser timidamente ampliado de acordo com o desempenho nas provas específicas do PASUSP. A mudança aboliu o bônus de 3% e substituiu as provas específicas pela prova da FUVEST. A manobra do CoG é dizer que a medida é inclusiva pois o bônus aumentou: teoricamente, se o candidato acertar 60 das 90 questões da FUVEST ele ganhará 10% de bônus. Se prestar como treineiro e acertar 40 das 90 questões, já garante 5% de bônus para o ano seguinte. Essa pontuação na FUVEST, no entanto, é tão elevada que já garante a aprovação para a maioria dos cursos da USP!

Para a Rede Emancipa, o novo INCLUSP está mais para EXCLUSP. Com ele a universidade reafirma um caráter meritocrático, excludente e elitista. E o vestibular continua sendo um funil sócio-econômico, que favorece o candidato treinado pela escola privada ou por cursinho caríssimos. Não à toa que estes são cerca de 75% dos universitários uspianos. Cerca de 89% dos estudantes, brancos.

Ano a ano se repete essa seleção que retroalimenta a desigualdade na sociedade. É um modelo falido que impõe a necessidade de pensar alternativas concretas. E tanto o novo INCLUSP como o novo ENEM reproduzem velhos problemas.

As alterações aprovadas na USP estão só começando: há propostas para o próximo CoG que podem tornar toda a FUVEST mais retrógrada do que já é. Além disso, em vez de ampliar o número de vagas na USP, a reitoria de João Gandino Rodas anunciou o corte de vagas nos cursos de “baixo impacto” no mercado. Assim, 330 vagas foram ameaçadas na EACH (USP Leste).

Como se não bastasse, a política de acesso da universidade segue sendo ditada à portas fechadas. Tanto o INCLUSP de 2006 quanto esta reforma de 2011 foram aprovados à revelia dos movimentos de educação, dos movimentos de cursinhos populares.

Em março de 2010 e de 2011 realizamos manifestações em frente à reitoria, em conjunto com outros movimentos de cursinhos, e não arrefeceremos: reivindicamos uma audiência pública sobre a democratização do acesso à universidade e as cotas sociais e raciais.

Sabemos que essa linha excludente e autoritária da reitoria, a lá Mubarack, tem sido cada vez mais repudiada pela comunidade universitária e sociedade em geral.

Estamos firmes na defesa de uma política de acesso à universidade que vire os atuais números da USP do avesso! A juventude negra, os mais pobres, os que estão nas escolas públicas não podem ficar esperando por mais décadas e décadas. Tampouco podemos nos contentar com vagas em universidades pagas e de péssima qualidade. Inclusão social imediata é adotar cotas sociais e raciais nas universidades. Democratizar o acesso é acabar com o vestibular e universalizar vagas.

 

 

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