Cotas na USP por quê?

No Brasil hoje somos uma população composta por 53,6% de negros e pardos autodeclarado segundo o IBGE no ano de 2014. Em contrapartida no vestibular da Fuvest de 2016, dos 142,6 mil inscritos, somente 16,8% pardos e 4,4% pretos – ou seja, 21,2% negros que participaram do enxame. Esses dados mostram que uma política de direitos iguais deveria começar muito antes do funil do vestibular.
Um profundo processo de democratização da Universidade de São Paulo (USP) passa pelo caminho das cotas raciais, que significa algo que vai além de si mesmo: é o reconhecimento de todo sofrimentos, exclusões e processos de apagamento e deslocamento a que uma grande parte da população negra foi submetida por anos. Isso, em caminho conjunto e sincrônico com a melhoria da educação básica, seria um dos melhores cenários dentro da política de inclusão social de grupos historicamente privados de acesso à educação e demais instâncias.
A Rede Emancipa tem como pauta de sua luta as cotas raciais nas universidades públicas. Sabemos que elas não são suficientes, mas é o inicio de grandes conquistas futuras. O debate sobre cotas envolve muito mais que vagas para negros e pobres que não conseguem entrar nas universidades públicas. É a possibilidade do desenvolvimento de grupos que constantemente são marginalizados.
A luta pelas cotas raciais deve ser coletiva, pois um país que segrega jamais terá um futuro. Enquanto o acesso à educação de qualidade for privilegio de determinados grupos, a Rede Emancipa será uma oposição de resistência educacional na luta pela igualdade racial e social.
Por Janaina Pessoa

 

Comentários