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As periferias de São Paulo e seu pequeno direito à cidade

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Por Rafael Barella*

As cidades brasileiras atualmente são divididas em dois distintos e antagônicos polos, as periferias e os bairros nobres. Em São Paulo temos uma peculiar divisão destes polos, as periferias ficam nos bairros dos extremos de cada região, situando-se nos extremos sul, leste, oeste e norte da cidade, enquanto os Bairros nobres situam-se no centro expandido da cidade, atribuindo caráter marginal às periferias no sentido urbano. 

A marginalidade das periferias não se restringe apenas ao sentido urbano, mas também é vigente no sentido social, prova clara disso é escassez de centros que promovam à cultura nas periferias. Sendo assim moradores da periferia se veem obrigados a deslocarem-se ao centro expandido da cidade para desfrutar da cultura, mas infelizmente é muito reduzido o número destes moradores que têm o privilégio de desfrutar do entretenimento da cidade de São Paulo, visto que falta tempo ocioso, falta dinheiro para se entreter e as vezes até para a passagem do transporte público, tudo isso indica um problema social que fere os direitos igualitários de liberdade assegurados pelos direitos humanos e nos mostra que na cidade capitalista os “direitos de propriedade privada e de lucro superam qualquer outro direito” (Harvey, David; 2013). 

Portanto o direito à cidade nos mostra ser um problema social, cujos direitos são totalmente negligenciados a favor de uma lógica da marginalização da periferia e do direito ao lucro e a propriedade privada e ainda tem quem diga tal hipótese (ao meu ver em partes equivocada): (Sobre a cidade) “(…) é a tentativa mais bem-sucedida do homem refazer o mundo em que vive mais de acordo com os desejos de seu coração.” (Park, Robert) Tenho a dizer algumas coisas sobre esta afirmação, ela é elitista, pois quem é este “homem” que tenta reconstruir o mundo a partir da cidade, é o morador da periferia ou o grande empreiteiro? Bem Sucedida ou excludente? Sendo que é sabido que poucos desfrutam da cidade, o que cria problemas sociais como o da falta de centros de promoção da cultura na periferia. E seu coração deve ser partido em periferia e centro expandido.

Não digo que todas as cidades são excludentes, o que alerto é a iminência de um problema social que muito rápido vêm se proliferando no Brasil e no mundo, fruto da exclusão social inserida no sistema elitista em que vivemos.

* Rafael Barella é estudante do cursinho popular do Vladimir Herzog (Grajaú) e miitante do Juntos! Zona sul de São Paulo (SP)

 

 

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