Cursinhos da Rede Emancipa

A USP se nega a adotar cotas raciais, mais uma vez!

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Cotas raciais já! Foto: Sayuri Kubo

Por Rodrigo Silva*

Na última terça-feira, 18, o Conselho Universitário da USP aprovou o uso do Enem como nova forma de ingresso em parte dos cursos da graduação para 2016A adesão será realizada através do Sisu possibilitando a entrada de estudantes de todo o Brasil para concorrer a 13,5% das vagas disponibilizadas por 32 das 42 unidades da USP visando promover a “ampliação” da política de inclusão na universidade de modo alternativo a Fuvest. Contudo, pouca coisa vai mudar no caráter elitista da USP, pois essa incorporação abrange apenas 6 dos 20 cursos mais concorridos, deixando de fora as principais áreas como Medicina, Economia, Comunicação, Arquitetura e Engenharia, além disso apenas 1% das vagas serão reservadas para candidatos pretos, pardos e indígenas.

Dessa maneira, verifica-se que, mais uma vez, a USP se nega adotar a implementação de cotas raciais, seguindo na contra-mão dos próprios estudantes e funcionários que votaram contra a proposta que tem a intenção de colocar um fim na luta histórica por cotas raciais.

A decisão ocorre num momento em que desde o início de 2015, o movimento estudantil e o movimento negro de dentro e fora USP protagonizado pela Ocupação Preta articularam  paralisações, ocupações debates, além  de importantes atividades como o congresso do SINTUSP e Seminário de Negros e Negras da USP parreivindicar a necessidade de cotas raciais na Universidade de São Paulo. A atitude da maior universidade no Brasil em rejeitar cotas, que já é uma realidade ultrapassada em diversas universidades federais e estaduais, é gravíssima e reafirma seu caráter racista que não busca apresentar nenhuma alternativa de futuro para a juventude negra, que além de ser marginalizada e excluída dos espaços privilegiados, sofre um racismo histórico e institucional que precisa ser reparado. 

Nesse sentido, a Rede Emancipa e o conjunto de movimentos sociais devem travar a luta por cotas raciais e sociais no ingresso da USP para o vestibular de 2017 concomitante com a adoção de ações que visem garantir a permanência estudantil para a população negra, afim de ocupar e democratizar o acesso a universidade para que ela seja efetivamente pública.

A USP precisa se pintar de povo e de negritude!

* Rodrigo Silva é militante do movimento negro, estudante de Ciências Contábeis na USP e coordenador da Rede Emancipa SP.

 

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