Cursinhos da Rede Emancipa

Queremos e precisamos de gênero nas escolas!

* Por Renata Almeida e Naiara Schranck

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Durante os últimos dias vimos uma série de mobilizações em várias cidades do país em torno do Plano Municipal de Educação (PME). Ele é um documento que tem por objetivo definir as metas e diretrizes para a educação do município no período de 10 anos. As câmaras de Vereadores tinham até o dia 24 de junho para aprová-lo em seus municípios.

Em muitas cidades, os planos mais progressistas, os quais continham o combate ao machismo, ao racismo e à LGBTfobia sofreram uma série de ataques dos setores mais reacionários, sendo derrubada qualquer referência ao combate de opressões.

Em São Paulo uma série de mudanças foi realizada no PME, dentre elas a retirada dos termos “gênero”, “sexualidade”, “orientação sexual”, “identidade de gênero” e de medidas de combate à descriminação, violência e valorização da diversidade nas escolas. Devido à pressão dos movimentos sociais, feminista, negro, LGBT a votação das alterações feitas por políticos conservadores e apoiadas por representantes de entidades religiosas foi adiada para o dia 11 de agosto. Elas são verdadeiros retrocessos, que deslegitimam e suprimem uma série de medidas indispensáveis para o sistema educacional, além de não levar em conta todo acúmulo de debates sobre gênero e sexualidade nas escolas feitos até então.

A necessidade de se discutir gênero nas escolas, para muitos é uma realidade extremamente distante, os fundamentalistas religiosos e conservadores, para desqualificar o debate, argumentam que é uma invenção ideológica. Mas se atentarmos para casos de estudantes estupradas dentro de escolas, meninas que têm imagens e vídeos íntimos expostos, alunos agredidos e rechaçados por sua orientação sexual ou por demonstrarem características e comportamentos que se distanciam da heteronormatividade, entre diversos casos que são silenciados, vemos que a questão de gênero não é ilusória. Muitos estudantes deixam de ir às escolas por vergonha, medo, e principalmente por falta de políticas que garantam que a escola cumpra seu papel de ser um espaço democrático, um ambiente de sociabilidade transformador, que contribua para a diminuição de casos como esses que muitas vezes se findam no suicídio.

Precisamos falar sobre machismo! Precisamos falar sobre lesbofobia! Precisamos falar sobre transfobia! Precisamos falar sobre homofobia! Precisamos falar sobre bifobia! PRECISAMOS FALAR SOBRE RESPEITO! Devemos barrar o avanço conservador e retrógrado. Assim como pintamos com as cores do arco-íris o facebook com a  aprovação do casamento civil igualitário nos Estados Unidos e não deixamos a Redução da Maioridade Penal ser aprovada, não podemos negar às nossas crianças e jovens uma educação emancipadora, libertária e livre de preconceitos.

 

*Renata Almeida é estudante de Pedagogia da Unifesp e Naiara Schranck é estudante de História na USP, ambas são coordenadoras da Rede Emancipa.

 

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