Cursinhos da Rede Emancipa

VIII DIA NA USP DA REDE EMANCIPA – OCUPE PELA EDUCAÇÃO

Foi mesmo sob um céu nublado e algumas (muitas!) pancadas de chuva que o VIII Dia na USP da Rede Emancipa aconteceu. E lá estavam, no sábado, 04 de junho, cerca de 500 pessoas, entre estudantes, professoras, professores, coordenadoras e coordenadores dos cursinhos de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, ocupando a USP pela democratização do acesso à universidade pública!

Com muito esforço e dedicação de todas e todos conseguimos reunir, logo cedo, estudantes das mais variadas regiões de São Paulo, além de representantes dos cursinhos de Alfenas (MG) e Porto Alegre (RS), o que fortaleceu ainda mais nossa luta pela ocupação de um espaço público, numa das mais importantes universidades do país.

Ocupe pela Educação

Neste ano, diferente dos outros, a presença de a? Estudantes das escolas ocupadas de São Paulo foi muito significativa e endossou ainda mais a importância de não arredarmos nosso pé e prosseguirmos na luta por uma educação mais inclusiva e emancipadora. Estas e estes estudantes têm nos mostrado o quanto é imprescindível continuarmos em busca de espaços públicos que nos são de direito.

Reunidos ainda na Faculdade de Educação da USP para a confecção dos cartazes e faixas com palavras de ordem, já mostrávamos o porquê de estarmos ali: unidos pela democratização do acesso ao ensino superior público, com cotas inclusivas para negras, negros e estudantes das escolas públicas e, além disso, por uma educação que inclua a diversidade de nossa sociedade e respeite lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans, ou seja, uma educação realmente para TODXS!

As minas também deram o tom e representaram a luta das mulheres pelo direito à educação e à continuidade dos estudos, afinal, lugar de mulher é onde ela quiser! Por isso, logo no início de nossa passeata, ainda na Avenida da Universidade, vimos muitas meninas segurando cartazes contra a opressão de gênero e sexual. São pautas históricas e que tem tudo a ver com a democratização da educação.

Nossa segunda parada concentrou-se nas proximidades de umas das entradas da cidade universitária, onde alguns estudantes, além de representantes de cursinho fizeram falas ressaltando o quanto a Rede Emancipa têm mudado suas vidas e suas visões de mundo. Foram discursos engajados com uma preocupação com a mudança da e pela educação. Ouvimos os relatos de diferentes trajetórias, desde estudantes como a Laís, que começou no cursinho em Santana ainda este ano e, mesmo com pouco tempo, já deu uma aula sobre a importância de nos unirmos por uma educação emancipatória, até o Antonio, do cursinho do Grajaú, que acabou de entrar no curso que sempre quis fazer, na Universidade Federal de Pernambuco. As falas foram todas acompanhadas de acalorados gritos e palavras de ordem que impulsionavam as pessoas a falarem e se sentirem parte daquela Rede.

A passeata seguiu de volta, passando novamente em frente à Faculdade de Educação, até a Praça do Relógio, onde representantes sindicais e da própria Rede Emancipa fizeram falas lembrando nossa atual conjuntura política e a relevância de nosso engajamento neste momento da nossa história. A fala da sindicalista, do Sindicato dos Químicos, nos fez pensar na indispensável união de nossas forças políticas enquanto movimentos sociais,para enfrentar um governo ilegítimo. Além dela, Cibele Lima, coordenadora da Rede Emancipa, nos recordou, mais uma vez, da necessidade da luta das mulheres contra a opressão sofrida diariamente. Ela também enfatizou a luta das e dos estudantes das escolas públicas contra o governo estadual paulista e sua política sustentada no abuso da força policial em manifestações e ocupações das escolas estaduais. Lembrou o perigo que representamos, ao tentar subverter uma ordem imposta de cima para baixo, mostrando que “quem não pode com o emancipa não atiça o bonde inteiro”!

Thaís Geraldini – Professora de História da Rede Emancipa.

 

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