Cursinhos da Rede Emancipa

“Defender Marielle é fortalecer a luta do povo” Deputada Estadual/SP Mônica Seixas

Entrevista com a Deputada Estadual de São Paulo, Mônica Seixas da Bancada Ativista

Um ano após a execução da vereadora do Rio de Janeiro e ativista da educação popular Marielle Franco, a Rede Emancipa entrevistou a deputada recém-eleita Mônica Seixas, do PSOL e da bancada ativista, que concorre à presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo tendo como parte de seu projeto a defesa do legado da militante e parlamentar carioca. Confira aqui essa entrevista!

Quem é Mônica Seixas?


Mulher, negra, mãe, que desde muito cedo aprendeu que para superar as desigualdades e a falta de oportunidade era necessário lutar, organizar a resistência junto aos mais periféricos, aqueles que nada tem a perder e que portanto estão dispostos a tudo para garantir uma vida digna com direitos e liberdade.

Pra você, qual a importância das mulheres negras ocuparem a política? Por que ser presidente da ALESP?


A política tradicional da forma como sempre existiu esta distanciada das pessoas, sempre vemos os mesmos homens, brancos usando a politica para favorecer seus interesses enquanto o povo vive a dura realidade da pobreza, da ausência do Estado que não chega na favela com políticas públicas que garantam direitos, mas sim com violência, com a força armada que estabeleceu uma verdadeira guerra a pobreza, principalmente a juventude negra e periférica.
Ter mais de nós nos espaços de poder é avançar na disputa para que o Estado atenda e se volte para o interesse do povo, é tensionar para que a política volte a ser feita pela e para as pessoas, pois só quem vive a realidade das periferias, as dificuldades que o racismo e machismo impõem as mulheres, principalmente as mulheres negras consegue pensar maneiras de superar essas dificuldades.
As transformações reais na sociedade, a revolução que tanto sonhamos, acontecerá a partir das mulheres, e das mulheres negras que sustentam a base da nossa sociedade racista e machista, somente com mais mulheres negras no poder será possível mudar nossa realidade.
Estou me lançando a presidência da ALESP, junto a Bancada Ativista e do PSOL, para denunciar e desmontar as velhas formas de fazer política, dos acordoes e das trocas de favores que fazem da politica institucional um verdadeiro balcão de negócios, porque acredito que é necessário transformar a assembléia, refundar aquele espaço para que esteja voltado a a atender as demandas da população e dos movimentos socias.

Quais são suas principais propostas para a presidência da ALESP?


Essa é uma candidatura que representa um programa coletivo, e pretendemos através dela garantir o andamento das atividades parlamentares, por isso elaboramos uma plataforma que propõem diversas mudanças no regimento interno da ALESP, mas mais do que isso, queremos de forma democrática e responsável, adotando mecanismos transparentes de controle e gestão direta pela população: destravar e desarquivar todas CPI’s que, por investigarem tanto a gestão do PSDB quanto de seus aliados, foram engavetadas; garantir a defesa dos Direitos Humanos e das vidas como prioridade na política estadual; defender a educação, a saúde, os serviços e os servidores públicos; defender o desenvolvimento socialmente justo e ambientalmente sustentável; lutar por um outro modelo de segurança pública, contra o encarceramento em massa e a lógica de guerra que impera nas cidades paulistas.

Hoje, dia 14 de março (quinta-feira) completará um ano da brutal execução da vereadora Marielle Franco. Para você, qual a importância de defender o seu legado?


Defender o legado de Marielle é seguir fortalecendo a luta do povo, é denunciar o racismo estrutural que oprime nosso povo enquanto os verdadeiros criminosos responsáveis por tanta desigualdade, seguem com seus privilégios, apagando a nossa cultura, nossa ancestralidade, a verdadeira história do povo brasileiro, majoritariamente negro, assim como a escola de samba Mangueira contou em seu enredo, é preciso recontar a nossa história, reconhecer os heróis que foram apagados, recuperar nossa identidade e seguir avançando na construção do poder popular.

Depois de quase um ano sem respostas, a Polícia e Promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro, prenderam o PM reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, suspeitos de participação nos assassinatos. Um passo importante nas investigações, mas acreditamos que é urgente saber quem mandou matar Marielle! Qual a sua opinião?


É um verdadeiro ataque a democracia uma vereadora eleita ser executada pelo seu trabalho e militância, a realidade é que a democracia nunca chegou aos mais pobres, aos que contestam esse Estado burguês, e mais problemático ainda é sabermos que há agentes públicos, figuras da política institucional envolvidas nesse crime brutal.
Começamos a ter respostas mas estamos longe da conclusão dessa terrível execução que tentou interromper Marielle, assim como ela todos os dias nossos irmãos e irmãs são executados e o caso dela é de certa forma um retrato de como não importa onde estivermos, se somos institucionalmente uma autoridade ou não, o racismo tentará nos parar porque na realidade nossas vidas, as vidas dos negros como Claudia, mestre Moa, Amarildo, dos indígenas, a vida dos nossos tem menos importância e é dessa forma que o racismo se expressa.


Por isso não queremos saber só quem apertou o gatilho que colocou fim a vida de Marielle, mas não ao legado da sua luta, queremos saber QUEM MANDOU MATAR MARILLE?

Marielle, assim como nós da Rede Emancipa, foi estudante de cursinho popular e militante da educação popular. Qual a relevância da educação popular, principalmente para a juventude negra, pobre e favelada?


A educação popular é a verdadeira arma capaz de colocar fim a toda a violência e opressão, nessa semana em que presenciamos a tragédia na escola de Suzano que matou jovens e trabalhadores inocentes, fica evidente que para combater a violência de verdade, as nossas armas precisam ser os livros, cadernos, giz, lousa, investimento em condições de trabalho, formação e salários dignos aos professores.
Esse modelo militar, armamentista e de culto à violência só tem multiplicado tragédias.

Estamos no topo das estatísticas de mortes de jovens vítimas de violência, a guerra a pobreza mata mais que a guerra na Síria, o Brasil é o país que mais mata defensores dos direitos humanos e a solução para isso, na minha opinião, precisa ser mais investimento na educação.

 

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