Cursinhos da Rede Emancipa

Sementes de Marielle

Marielle Franco carrega, em sua história, as marcas da resistência: mulher, negra, cria da favela, estudante de cursinho popular. Poderia ser muitas das estudantes da Rede Emancipa. E, sabendo de sua origem e sua história, resolveu fazer delas seu combustível de luta. Defensora dos direitos humanos, Marielle era incansável na luta daqueles que como ela não fazem parte do 1% que detém 50% da riqueza do Brasil.

Sua morte prematura arrancou de nós uma representante e um espelho, mas não nos tira a esperança. Ser semente de Marielle é saber que há muito para o que lutar e que só poderemos parar quando as estruturas racistas e machistas do nosso país e do mundo forem derrubadas.

Angela Davis acredita que as mulheres negras são, em si, resistência. Essa idéia parte da lógica de que estamos nos piores empregos, nas piores moradas, somos as que mais são mortas e agredidas. Mas também parte da ideia maluca de que, apesar disso e conscientes de tudo isso, ainda somos as que têm coragem de mudar a história.

A história que a história não conta precisa ser revelada: os livros apagam tantas guerreiras, como Dandara, mas não aceitaremos mais sermos silenciadas, apagadas e nem interrompidas.

A cada Marielle que cai, cada Luana, cada Cláudia, milhares de outras se levantarão. Nós somos aquelas que levamos as marcas das chibatas de nossas ancestrais, mas também levamos a força que move estruturas. Somos semente. Somos o florescer de um mundo novo, em que não será mais preciso se perguntar: quantos mais têm que morrer pra essa guerra acabar?

Por: Tatiane Ribeiro, comunicadora, militante do Psol e coordenadora da Rede Emancipa.

 

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