Cursinhos da Rede Emancipa

NOTA DA REDE EMANCIPA DE EDUCAÇÃO POPULAR

Caiu o ministro da educação. Nenhuma trégua ao próximo!

Vélez Rodrigues, um dos piores e mais desastrosos ministros da educação,  foi demitido do governo Bolsonaro. Este, por sua vez, é o governante eleito que tem a pior avaliação inicial na história do país desde a redemocratização. Alguns avaliam que a queda de Vélez tem que ver com sua incapacidade gerencial e administrativa. A pressão sobre ele ficou ainda maior após ser metralhado na Comissão de Educação da Câmara Federal, sem conseguir esboçar reação.

Mas a verdade é que, nestes três meses de gestão, Vélez deixou sua marca. Com algumas canetadas ele desmontou programas essenciais e historicamente construídos pelo MEC, nomeou uma criacionista para um alto cargo no ministério (depois teve que recuar), prometeu revisar livros didáticos para afirmar que não teve golpe militar no Brasil e que as universidades devem ser somente para uma elite intelectual. Em outras palavras, ele seguiu à risca o projeto político-ideológico de Bolsonaro a frente do ministério.

Mas a pressão dos movimentos, da oposição e de setores aliados do próprio governo certamente o impediu de seguir no cargo.

Temos orgulho de ter sido parte, desde o início, da resistência à política atrasada, nefasta e fanática de Vélez Rodrigues. Contra os retrocessos que sua gestão do MEC representava, exercemos a educação democrática, debatemos a ditadura em círculos e rodas de conversa, organizamos abaixo-assinado para discutir os rumos do ministério, debatemos com os professores, estudantes e comunidade escolar – os maiores interessados – o que não queremos, mas também o que queremos para a educação. Não esperamos nada de bom deste governo, que já deu mostras suficientes do caminho nefasto que está trilhando. Mas também não ficaremos calados um momento sequer diante dos ataques e injustiças

Agora, Bolsonaro indicou para o cargo Abraham Weintraub, alguém que não entende nada de educação (à semelhança do antecessor), ultraliberal na área econômica, tem relação estreita com o mercado financeiro e é um discípulo de Olavo de Carvalho. Tudo indica que ele seguirá conduzindo o MEC no mesmo trilho que Vélez deixou. Talvez numa dinâmica mais acelerada, tendo em vista que é um dos operadores da Reforma da Previdência, que ataca o conjunto dos educadores e do povo do país.

Resta a nós educadores, movimentos sociais e estudantes de todo o país seguir nos organizando para enfrentar e barrar a agenda de retrocessos, o discurso censor e retrógrado, a militarização das escolas e a mercantilização da educação que agora têm um novo operador.

 

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