Cursinhos da Rede Emancipa

NOTA DE SOLIDARIEDADE À PROFª CAMILA MARQUES

A Rede Emancipa vem se solidarizar com a Professora Camila Marques sobre a grave e descomedida atuação de truculência promovida pela Policia Civil do estado de Goiás.

Camila foi detida ilegalmente e de maneira arbitrária, em explícito episódio de abuso de autoridade, simplesmente porque cumpria seu papel de educadora e cidadã. Foi agredida, algemada e teve seu aparelho celular apreendido simplesmente por estar fazendo registros da ação da polícia dentro da unidade de ensino em que leciona. É importante ressaltar que uso de câmeras em ações policiais não é proibido, pelo contrário, deve ser estimulado tanto pela população, pelos jornalistas e pelos próprios policiais.

Contudo, a nós da Rede Emancipa nos preocupa sobremaneira o fato de que ações como esta, em instituições de ensino, passem a ser corriqueiras e banalizadas. No último mês houve uma ação da polícia na Universidade de São Paulo, igualmente autoritária e sem respaldo legal. Outro abuso que presenciamos atônitos foi a truculência da PM ameaçando estudantes com uma arma de fogo em uma escola pública de Guarulhos.

Essa postura autoritária das polícias tem respaldo nos discursos das autoridades do país que legitimam o que não está na lei, como torturas, pena de morte e abuso de poder. Precisamos repudiar fortemente que, pelo menos nas escolas, esse tipo de abuso e arbitrariedade não podem ser tolerados.

É importante, porém, que nós, enquanto educadores e militantes da educação estejamos preocupados com a escalada de violência na sociedade, principalmente dentro dos espaços educacionais. É fundamental começarmos a debater em nossas escolas como previnir e combater atos violentos de todo tipo, inclusive com a preocupação sobre o extremismo que levou à chacina na escola pública de Suzano. Neste sentido, é fundamental a nossa atuação junto da comunidade escolar no debate e discussão aberta sobre violência. Fundamental também estimularmos a criação de uma força tarefa para combater e desarticular estes atos extremos, que envolva educadores, comunidade escolar, especialistas em segurança pública e a inteligência das forças de segurança. Somente assim podemos desarticular os grupos que se organizam subterraneamente nas redes de internet, e então poder trabalhar e sonhar em ter um espaço harmônico, aberto e democrático nas escolas. Essa ação da polícia na escola de Goiás em nada contribui para isso.

 

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