Cursinhos da Rede Emancipa

LUTO E LUTA: por Agatha Félix e por todos os mortos pelo Estado assassino!


A REDE EMANCIPA DE EDUCAÇÃO POPULAR CONVOCA PROFESSORES, ESTUDANTES, FAMILIARES E TODOS AQUELES QUE ESTÃO INDIGNADOS COM O ASSASSINATO DA CRIANÇA DE 8 ANOS ÁGATHA FÉLIX A IR TRABALHAR E SAIR ÀS RUAS DE PRETO NESTA SEGUNDA-FEIRA E SE SOMAR E CONSTRUIR TODAS AS MANIFESTAÇÕES E PROTESTOS PELO FIM DA VIOLÊNCIA POLÍTICA E DO EXTERMÍNIO DA NEGRITUDE PERIFÉRICA.

Neste dia 21 de setembro de 2019, o Rio de Janeiro e o Brasil velam mais um corpo negro e favelado, agora de apenas oito anos de idade, vítima da política de morte do Estado. É assim que temos que chamar a política de Estado do governador do Rio de Janeiro: necropolítica, política de produção de morte.

Sob o governo de Wilson Witzel se tornou uma tarefa diária dos cariocas contar os corpos deixados como rastro da ação de uma polícia genocida. Vidas são ceifadas e o obituário revela cor, classe e território: pretos, pobres e periféricos.

Em um país de histórico escravocrata, cuja recente e inconclusa abolição resulta hoje na continuidade de um projeto social de profunda desigualdade, a maioria da população preta está marginalizada e violentada nas periferias, espaços marcados pela negação de direitos.

Falamos isso do lugar da periferia que é onde nós da Rede Emancipa construímos nossa força social e conscientização. Nas favelas e comunidades em geral o poder público se faz presente tão-somente na figura repressiva da polícia, que entende as mortes dos moradores como consequência inevitável de suas operações de guerra. Essa posição é assumida pela própria PMERJ e incentivada pelo governador que se comporta como um sanguinário que vibra com cada morte dia após dia.

Não é um problema só do Rio de Janeiro. A política que abandona as periferias à própria sorte; que nega a moradia digna, que nega emprego, aposentadoria e submete o povo à humilhação crescente do desalento e da precariedade do trabalho; que destrói o SUS e a saúde públicas e deixa os pobres morrerem nas filas dos hospitais; que nega o mínimo saneamento básico; que nega educação pública de qualidade e acesso ao lazer e à cultura; que relega aos pobres a epidemia da depressão e problemas de saúde mental decorrentes de sua condição social; é a mesma política que depois cobra com sangue inocente essa mesma condição. Bolsonaro, Witzel, Moro, Dória e tantos outros, além de aliados eleitorais, são cúmplices dessa política de morte.

Não é acidente nem ignorância. São ações conscientes que revelam um Estado no qual há corpos que devem morrer sob justificativas institucionais e de execução do poder. Esta carne que sangra no chão é normalmente preta. Preto da cor da maioria trabalhadora, dos verdadeiros donos dessa terra, que com seu suor movimentam e constroem a cidade e o país, recebendo em troca silenciamento e apagamento, no apogeu da desumanização, pela morte assinada e carimbada pelas autoridades.

Quando há confronto a desculpa é que são bandidos. Quando não há confronto o argumento é ser um acidente. Entre tantas mentiras o que não muda é o local, a cor e a classe das vítimas.

No caso da morte de Agatha Félix sim, a culpa é diretamente do Witzel. Culpa de um governador que não tem educação, saúde e direitos para a periferia mas tem como política única e exclusiva helicópteros, bala e fuzil. Culpa de um chefe de governo que – tal qual o Presidente e seu Ministro da Justiça – silencia diante da morte de uma criança de oito anos de idade. ELE AINDA NÃO FALOU NADA sobre essa atrocidade. O mesmo inominável governador que se deslocou imediatamente para vibrar o desfecho sangrento de um sequestro sem reféns vitimados agora revela seu interesse real: naturalizar a barbárie e a violência contra a periferia. Chega!

Não aceitaremos mais uma gota de sangue. Reivindicar democracia real é, sobretudo, lutar pela vida do povo, e nosso povo está sendo assassinado pelos comandos das autoridades.

“Eu visto preto, por dentro e por fora”. A cada luto, respondamos com mais luta. Nosso luto é também verbo. Não há tempo para silêncio. A

 

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